domingo, 17 de agosto de 2014

Assista de graça o documentário sobre o ativista Aaron Swartz

Lembra que no início de maio nós divulgamos em primeira mão o trailer legendado de “The internet's own boy”, o documentário sobre a vida do ativista Aaron Swartz? Pois é, agora o filme já saiu e está disponível para download!
E não podia ser diferente né? Swartz foi um dos ícones na luta pelo conhecimento livre e foi preso e processado por baixar artigos acadêmicos. Aos 26 anos o norte-americano se suicidou, após ser condenado a 35 anos de prisão e a uma multa de US$ 1 bilhão. Até hoje ele é lembrado por aqueles que lutam para difundir cultura e informação de forma livre e universal.
O filme de Brian Knappenberger retrata a vida e a luta de Swartz, que  foi um dos criadores do feed de notícias RSS (aos 13 anos), fundou o Reddit e participou do processo de criação do Creative Commons.
“The internet's own boy” foi viabilizado por meio de financiamento coletivo e lançado no último dia 27. Para assistir o filme completo acesse aqui o Internet Archive
(link is external)
.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

PULSÁTIL - Poemas canhestros & prosas ambidestras - Baixe meu novo livro


     É com prazer que disponibilizo para download ou leitura online meu mais novo livro, Pulsátil - Poemas canhestros & prosas ambidestras.
     
Este livro é uma estranha antologia: reuni aqui poemas esparsos, dos mais novos aos mais antigos, de bons comuns poemas a B-sides, mas que não entraram, por quaisquer motivos, nos meus livros anteriores.
     E ainda um resgate: poemas de meu primeiro, terrível (de ruim) e renegado livrinho, São Gonçalo de Todos os Santos(1999).
     Salgando a miscelânea, a segunda parte do livro reúne uma pequena seleção de frases e pensamentos, geralmente publicados no Facebook. Alguns espontâneos, outros meditados, alguns devocionais, outros de viés mais carnal, satírico, espirituoso ou apenas gotículas de ácido destilado. E ainda algumas reflexões e prosas maiores.
     Falando em carnalidade, o livrinho termina com alguns textos de um certo Mathias Raws, falsário de passaportes e ladrão de bancos (regenerado) inglês, de cujo um poema retirei o título para este livro.
     E para completar a medida de balbúrdia em tudo isso, toques de minhas sinistras, canhestras incursões pelas artes plásticas também estão aqui, na figura de uma pintura, um objeto e fotografias.


     Provocações, balões de ensaio testando limites, ‘tentando’ os limites: sem estranhamento não há arte, não há literatura (mas apenas pedagogia, e a mais chã), sem o perigo das bordas do abismo herético, não se pode fazer boa teologia, não se pode expandi-la. Riscos que se corre e riscos que assumo, pois não vejo outra opção para justificar-me enquanto escritor. Não saberia fazer nada diferente.

O livro possui 113 páginas, e está em formato pdf.

Para ler online ou baixar pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.


Caso não consiga realizar o download, você pode solicitar o envio por e-mail, escrevendo para: sammisreachers@ig.com.br

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Cantiga dos Moleques Fruteiros


Cantiga dos Moleques Fruteiros

Pedrinho tem fome de mato,
das frutinhas que tantas dão por lá:

Cajuí, taperebá, araticum e cajá
Cambuci, guabiroba, cagaita e maracujá

Juca menino erradio
pulou a cerca do sítio,
e lá se foi, frutas a roubar:

Pindaíva, marôlo, sorvinha e biribá
saguarají, feijoa, sapoti e joá

Gustinho não poupa ninguém
nem atina se a fruta é veneno;
se tem polpa pouca
ou se nem polpa tem,
a de vez ele come,
a passada também:

Mangaba, guriri, tucum e butiá
uarutama, bacupari, marmelinho e ingá

Renato é um bicho-do-mato:
chafurda nas matas,
rompe pelos florestins
sabe o tempo de cada fruta,
e deita sozinho a fazer seus festins:

Babaçu, inajá, catolé e bacuri
sapota, cupuaçu, araçá e cacauí

Fernandinho é moleque mateiro:
gosta é de pelar pé de árvore
no pomar da avó.
É fruta que não acaba tão cedo
e lá vai ele, arteiro, trepar no arvoredo:

Grumixama, cubíu, marmixa e abiu
guaburiti, pitangatuba, murtinha e camu-camu

Saltam riacho, cerca de roça,
mata fechada e o que se lhes dá;
Comem de tudo e tudo sem pressa,
sorvendo o bom doce de tudo o que há:

Acumã, pequiá, jameri e jaracatiá

aboirana, curriola, fruta-de-tatu e cambuiú.

Sammis Reachers

domingo, 23 de março de 2014

Um conto da Segunda Guerra Mundial - Carta do pracinha Dirceu para a jovem Marília



XXXX, Itália, janeiro de 44

A noite, como a morte, é uma carta de trás para a frente, Marília, uma carta que não se entende até que amanheça.

Marília, hoje avançamos sobre o monte xxxx. Não adianta eu escrever nomes e datas, a censura suprimirá essas informações, que de mais a mais pouco importam a uma menina de 17 anos numa cidade tão bonita como Niterói.

Não sei se lhe escreverei mais cartas, se há um amanhã com meu nome na lista ao final da fila de ração. Então, perdoe-me pela estranheza e extensão destas linhas aqui transcritas. Foram escritas em dias espaçados, sob influências diversas – mas todas apenas dimensões, fragmentações de você.

E então eu agora abertamente digo que te amo, amiga. Amo-te mais que tudo em minha vida, os poemas, os sambas, o Bangu, meus cães e a filosofia. Amo-te desde o primeiro dia que lhe vi ao lado de Michaela, e eu que pensava amá-la, mas depois percebi que não, que nada, que tudo em minha vida e na história de meu coração era aio e ensaio até você. Pois o coração de toda a beleza que pulula no Universo-aqui, no espasmo-agora, é você, Marília.
Sei da galanteria que o Marco lhe faz; sei que seu pai, não tão secretamente quanto ele pensa, faz gosto de tê-lo como genro. E sei também que você se agrada. Agora ele está aí ao teu lado, pois pode ver-te todos os dias, e eu estou aqui na Velha Bota, na cega neve, na arruinada madona que o Duce deflagou. Nesta disputa, se disputa havia, já perdi; se eu morrer e eu vou morrer, morrerei para que você possa ser feliz. Morrerei para não suportar, além do próprio peso da vida, a impossibilidade de você.
Tinha sonhos contigo, sonhos de casamento e roça, três crianças de quem eu, em secreto, adivinhava já os traços das faces. Terminaria o curso de Filosofia e iria dar aulas em alguma cidade pacata do interior do estado. Madalena ou Campos dos Goytacazes, talvez. Hoje queimo estes sonhos no altar da Guerra.
Tenho um pedido apenas: se em algum dia de tua vida de luz, sentiste algum afeto por mim, para além de nossa firme amizade, lhe rogo que nomeie teu primeiro filho com o meu nome; deixa-me estar próximo à tua lembrança enquanto você viver, pois sei que de mim a Guerra tudo requisita, como uma noiva voraz que quer o seu prometido e todo o dote, e ela nada poupará em seu holocausto.
Sei que falo coisas tristes e confusas demais e adultas demais para teu coraçãozinho principesco, mas preciso comunicar a alguém esta minha calma angústia, e é a você que comunico, pois você é mais que a pessoa que amo, é o próprio Universo onde habito, minha deusa lar, particular.

Na última carta você referiu lembrar-se de minha expressão antes da Declaração de Guerra, da forma como eu, durante as lições que lhe dava em sua casa, segurava o mapa da Europa nas mãos e quedava absorto por minutos silenciosos, ‘como se eu soubesse’. Marília, a História é um pano roto onde uma bruxa de candomblé lança búzios, búzios que dão sempre o mesmo resultado. Desde a invasão da Rússia, eu já sabia que o Brasil ingressaria na Guerra, eu sabia que haveria uma convocatória. Eu já treinava disparos, eu já sabia para onde fugir de ti, eu já sabia onde finalmente encontrá-la para sempre.

Escrevo este trecho de xxx. Mas todas as cidades por onde passei, Nápoles e Modena e Livorno, chamam-se você, todas as cidades da terra e do sol nomeiam-se secretamente Marília.

Aqui abraço a morte como se abraçasse você, menina. Nomeio a imperatriz-meretriz Morte com teu nome epifânico, e ela ganha ternura e sonho, cresce em intimidade sem perder a realeza. Vida ou Morte, Destino ou Acaso, como um grande Brahman dos hindus, escolhi ter você em tudo e como tudo, e que tudo a seja, foi a forma que encontrei para não perdê-la.

Nesta neve de menos 2 graus, lembro-me de nosso passeio na praia de Icaraí, sob o poder do carro de Hórus, o Sol que existe apenas para lhe dar um pedestal, Marília... Minha amiga, minha irmã, naquele dia, quando paramos em frente à Pedra do Índio e imprudentemente segurei a tua mão, não foi senão por amor!, amor que requereu-me um resgate, resgate cujo objeto é esta guerra e talvez a minha vida. Seja; amei-te e amo-te, e o Fuhrer ou a ciumenta Morte não hão de abalar isto, macular este mármore; ainda que implodam todos os mármores e monumentos da Itália, ainda que despedacem o céu em meu encalço e desçam comigo ao Sheol.

Aqui combatemos com fuzis M1 Garand americanos. Paralisados em nosso avanço, numa missão que a censura não permite nomear, peguei minha faca e com sua lâmina virgem risquei na coronha de meu fuzil o seu nome. E passaram a ter mais paixão e alcance os meus disparos. E se algum dia este fuzil passar a outras mãos, aquele que o empunhar saberá que há uma Marília no mundo, e há ou houve alguém que a amou – e isso é um rascunho de eternidade. Mesmo que eu morra um fuzil chamado Marília combaterá para livrar o país de Marília, a cidade de Marília e o coração de Marília.

Enfurnado no fundo de uma trincheira não há muito em que pensar. Amanhã, quando for matar tedescos (na carta de dezembro já lhe expliquei que aqui, por influência dos italianos, nós chamamos os alemães de tedescos), penso se matarei algum descendente de Schopenhauer, Hegel ou Kant. E será estanho assassiná-los, como ainda me espanta ter que combatê-los. E penso em meus livros de filosofia alemã em francês, que fim terão se eu morrer. Mamãe os queimará ou deitará fora? Diga-lhe para vendê-los no alfarrábio do senhor turco.
Se você lesse em francês ou tivesse intenção de aprender a língua, por certo deixaria tudo para ti. Mas não lhe apraz o aprendizado de línguas estrangeiras, e bem faz: elas é que devem estropiar-se para compreendê-la, ó pequena luz de tudo.
Você é o meu portentoso deus, o objeto de eleição de minha fé, raio e circunferência da religião que criei; aquilo que arbitrariamente sacralizo, meu lancinante talho na aorta da Realidade – platônicanarquica faca tomando o lugar do cosmocorpo que ela mata; mas o estranho deus dos judeus, do qual você tanto fala na última carta, talvez seja o único que realmente exista.

Nunca voltarei. Seja feliz com o Marco.

Meu último poema. Se eu pudesse, enfeixá-lo-ia para compor um livro, com todos os demais poemas dos quais você é a musa. Mas você os tem: livro dentro de um livro. Pois ao fim e ao cabo, todo deus é uma biblioteca. Mas não quero confundi-la.
Como sempre, nada como seus amados Bilac e Oliveira, mas mais para os franceses de que lhe falei. 
Adeus.


Batalha para alcançar Marília (poema 32)

Tuas palavras caíam no chão ribombantes
como granadas de sândalo:
eu avançava nu como quem sonha

Teus olhos congelavam o entorno, deusa:
moscas, sonhos, oxigênio
tudo era teu
ó mínimo-coração-do-mundo

A metralha tedesca cantarolava
mas seus atiradores e balas eram sombras
apresadas e impotentes na caverna platônica

Pois tu(a) é a Guerra, Minerva:
Tua boca era a bandeira a capturar, Marília, Valkíria,
como a piscina de hidromel sita no coração de Valhala
samadhi nirvana aniquilação íris de cada um
dos mil olhos de Brahman


Sammis Reachers

Do livro Poemas da Guerra de Inverno, segunda edição 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Um poema de Pedro Marcos Pereira Lima para Sammis Reachers


O amigo poeta Pedro Marcos Pereira Lima, honrou-nos com o belíssimo poema abaixo, ao que foi inspirado após a leitura do nosso livro Poemas da Guerra de Inverno. 
Compartilho aqui, com meus poucos leitores, esse texto, pelo qual agradeço ao querido Pedro pela honraria tão imerecida.

sammis
miss
missa
mas
sim
mami

és
re
encarne
ação!
Globo
Gouberi
Glauberização
poética
delírica
sanguinária
que nos amedronta
ator
menta
signinventa
apronta
guerraguerras

de Deus  e o Diabo
na idade da pedra
da terra em transa
no Sol de Inverno

Sol dado
amado
que rindo
passa suas cartas bombas
pelas trincheiras
pelos consulados
pelas divisas
das pontes da Amizade
entre patrulhas
caminhas invisível
com sua poesia

porque a ordem de cima
é que não te vejam
não te alvejem

tem um Sonho
que não para de crescer
em teus olhos

como dirias
começou como uma feridinha
que mamãe
beijou e passou

mas o mal tempo a guerra
o som ensurdecedor
das bombas

e depois
Deus
A Grande Explosão
Azul

cresceu de tal Vida
a ferida do Sonho
em teus olhos

que o hoje o tempo
em Sammis
não tem idade
é só Eternidade

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

POEMAS DA GUERRA DE INVERNO: Segunda edição impressa, revista e acrescida com novos poemas



Publicado em formato de livro eletrônico em meados de 2012, a primeira edição deste livro já surgiu com duas ausências, um poema (Thor Odinson) que havia ficado perdido e inacabado na pasta de rascunhos de meu celular, e o pequeno Batalha de Guadalcanal (publicado posteriormente em meu livro DEUS AMANHECER).
Somados a outros poemas escritos no período imediatamente posterior à primeira edição, poemas de fundo marcial, viciados pelo mesmo élan existencialista dos demais, me pareceu oportuno publicar esta segunda edição revista e acrescida, acatando sugestão que primeiramente partiu de meu amigo poeta, Francisco Carlos Machado. E agora, na forma de livro impresso.
Os novos poemas enxertados no corpus desta dor: Thor Odinson, Batalha de Guadalcanal, Enterrem meu coração na curva do rio, A Morte do Berserker; três poemas de um pequeno ciclo ulisseano, Odisseu: Aproximações, Hino Combatente e Bloomsday Confraria (todos já publicados em blogs e redes sociais); E ainda os textos inéditos: Grande Guerra Patriótica – Poslúdio: A Morte do Camarada Arkhady, Legio Patria Nostra e Carta do Pracinha Dirceu para a jovem Marília.
O poema Sobre a Fênix Assassinada, que faz uso de cores em sua expressão, originalmente fechava a seção Omnia Funera, mas aqui precisou ser realocado para a contracapa do livro, pois seria impraticável publicá-lo em cores, no miolo do volume.
Falei do livro DEUS AMANHECER. Agora ocorreu-me algo: se aquele é um livro sobre a Vida, este seria um livro sobre a Morte? Faltar-me-ia então o mais difícil, um livro sobre a Interseção. Mas talvez a interseção entre Vida e Morte inexista...
No mais, que posso acrescentar? Eis a Guerra, fêmea sem vulva, eis a hecatombe humana e eis a angústia primal & matricial.

O livro está à venda no site do Clube de Autores, AQUI.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Sammis Reachers - Retrospectiva 2013


Em inícios de 2013 tomei a iniciativa de escrever uma ‘retrospectiva’ de meu trabalho editorial/ministerial decorrido durante o ano de 2012.  Foi algo interessante tanto para mim, que sou tão ativo e esquecido, sempre pensando no próximo trabalho sem olhar muito para trás, e foi positivo também para os leitores, que puderam acompanhar o que foi feito, e conferir se deixaram passar alguma coisa, algum livro etc.
Pois eis que, com algum atraso, volto à carga e realizo aqui a retrospectiva do ano de 2013 (e deste comecinho de 2014).

Iniciei o ano criando aplicativos. Isso mesmo, foram três em sequência: o MissioBlogs, um aplicativo gratuito que reúne os conteúdos de 10 blogs evangélicos diferentes, todos eles blogs voltados para Missões.O app Veredas Missionárias, que além de reunir os conteúdos dos blogs Veredas, Arsenal do Crente e Equattoria, traz ainda o conteúdo da página Veredas no Facebook, meu perfil no Twitter, além dos links das bibliotecas virtuais que mantemos. E criei ainda o DecaBlog Gospel, um aplicativo também baseado na leitura de Feeds como o MissioBlogs, e que traz o conteúdo reunido de 10 blogs que mantenho, ou onde colaboro.

Entre os meses de março e abril veio à luz o terceiro volume da Antologia Poética Águas Vivas (que até aqui tem mantido uma periodicidade bianual), apresentando desta vez a obra de oito poetas: os brasileiros Francisco Carlos MachadoGeorge GonsalvesHeloísa ZachelloJohn Lennon da SilvaJulia LemosSilvino Netto e Sol Andreazza, e o lusitano Manuel Adriano Rodrigues.

Logo em seguida (maio), publiquei meu primeiro livro impresso (também disponível como e-book gratuito), DEUS AMANHECER.

Em agosto, mais um presente editorial para os amantes de Missões e para toda a igreja: o segundo volume da Antologia de Poesia Missionária (o primeiro saiu em 2010), reunindo poemas de nossos autores clássicos como Myrtes Mathias e Mário Barreto França, ao lado de novos valores, e ainda uma vasta seleta de frases e citações sobre Missões e Evangelização, como apêndice ao livro.

Em outubro veio a lume a Antologia Teatro Missionário, trabalho (muito árduo! rsrsrs) feito a quatro mãos com minha amiga Vilma Pires, onde atuamos como antologistas e também autores.

Em dezembro, mais por Missões: saímo-nos com a Revista Passatempos Missionários, reunindo cruzadas, caça palavras, quizzes e muito mais.

E agora em inícios de janeiro (embora organizada também em dezembro) publicamos a Revista Humorejo – Humor Gráfico Evangélico. Uma compilação inédita reunindo a arte humorística de 17 artistas cristãos, em charges, caricaturas e histórias em quadrinhos.

Também neste início de janeiro ficou pronta a segunda edição revista e ampliada de meu livro Poemas da Guerra de Inverno, cuja primeira edição veio a lume em 2012. Agora em versão impressa, com novos poemas, publicado pelo Clube de Autores.

Nos blogs, o trabalho continuou firme, com constância e qualidade, principalmente nos blogs principais: o Arsenal do Crente, com muitos recursos gratuitos e de utilidade para o cristão, para download gratuito; o Poesia Evangélica, sempre buscando dar voz a autores inéditos, para promover e incentivar a poesia evangélica, sem esquecer do resgate histórico; e o Veredas Missionárias e Equattoria, com a divulgação missionária, estudos, recursos para download e muito mais.
O trabalho continuou firme também nos blogs colaborativos, como o Imagens Cristãs, o Cidadania Evangélica (agora com nova colaboradora, Sara de Paula), o Confeitaria Cristã, o Liricoletivo e o literário Mar Ocidental. E também, claro,  no blog e redes da União de Blogueiros Evangélicos.
Embora eu precise admitir que no ano que findou diminuí o ritmo em alguns blogs (salvo nos já citados principais), em virtude mesmo de ter focado mais pesadamente nos trabalhos editoriais, que exigem-me sempre muito tempo e atenção (e neurônios operando à toda carga rsrs).

As Bibliotecas Virtuais Letras Santas (4Shared) e Veredas (Scribd) seguiram sendo supridas de bastante conteúdo, e no Scribd novas pequenas pastas foram criadas, como Teatro Evangélico e Imagens Cristãs.


Bem, se você tem sido servido, auxiliado ou tem apenas se agradado do trabalho feito até aqui, continue orando por mim, para que o Senhor sempre supra minhas necessidades em todos os campos, e me dê criatividade, capacidades e perseverança para continuar militando. Minha vida tem sido mais difícil do que deixo transparecer, e olha que meus poemas tristes dizem muito de mim rsrsrs. Mas somos soldados e há uma guerra em andamento, que requisita o que cada um de nós tem de melhor. Avancemos, pois, em direção à consumação de todas as coisas, no seio de Cristo Jesus.

domingo, 13 de outubro de 2013

Considerabit Parabellum

© Jindřich Štreit

Sentar-me no banco 023 do Campo de Santana
observar as cutias equilibrando-se sobre duas patas
para roer amêndoas ou um mapa do céu
que algum apressado estudante deixou cair

Pensar em você, Noivinha de Cristo,
escrever o mais lindo poema de amor
de toda uma década, de toda esta
camonicamaleônica língua

Mas não; e se não posso tê-la, que a Literatura
não me possua o poema, que ele morra arquétipo,
abortado em mármore na tumba
das perfeições platônicas.

Os Imperativos Morais, esses radiosos
demônios concebidos na Luz,
a tudo manietam-me,
e dizem
resista soldado
        combata soldado
morra combata resita
combata morra morra

Estou morto, cães de guarda,
sou um de seus santos, sou
uma sua besta de carga.

Teus olhos estelares,
ó Princesa do Planeta Koryander
são a magnum opus de Cristo,
sóis concentrados cujo fogo
queima sem arder
abrasando até as cinzas de cinzas de cinzas
de meu coração,
como quem chama Lázaro para fora...

Gosto de quieto observá-los
como um iogue observa uma mandala
em busca de libertação, de samadhi
ou como um exausto soldado de Cristo
observa todo o esplendor do Fim
deste sistema iníquo de coisas
              que nos separam,

ó grande apocalipse meu.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Desequalização ontogênica


Dormir, acordar com a sensação de que há algo de aprioristicamente errado na Matrix - sensação que pensamento, fé, conhecimento algum suplanta. Sentir que há uma Queda além da Queda: gostaria de tentar uma palavra para isso?

domingo, 1 de setembro de 2013

Reflexões do espírito e da carne



Me conheces desde antes daquele ventre, antes da materialização. Nasci em Teu coração no Dia anterior aos dias, o Dia que tornará. Pela Palavra, para a palavra me chamastes. Minha ambição única é empossar palavras que possam sequer aproximar-se de expressar as periferias da Tua Glória – como uma criança correndo descalça pelas ruas de chão, que estica e eleva as mãos ofertantes, e estica e eleva o louvor de seu sorriso, e expande e expande seu sorriso, sem medo algum, tentando tocar o Sol.

 * * * * * 

 Sim, sim, ELE não faz acepção de pessoas. Apenas confere a cada um meios de enxergar ângulos variados do mesmo horizonte. E conforme você vê, você faz. 

 * * * * * 

 A alegria naturalmente aproxima-te à órbita dos campeões, assim como naturalmente a tristeza te aproxima dos humildes. 

 * * * * * 

 Só posso conhecer um homem numa situação extrema; só conheço um homem depois de observar, quando prestes ao precipício, qual partido ele toma. 

 * * * * * 

 Parece-nos que o tempo de Deus demora, pois nosso tempo medimos em distância, e o dEle é medido por instância e sincronicidade. 
Mas um dia o trigo estará maduro na espiga, e Ele enviará o anjo para a colheita. 
 Livra de tosquenejar o anjo que vela minha seara, Senhor; e contempla: meus instrumentos de arar já estão embotados, e o acalanto que existe para renovar-me, faz cada vez menos efeito, menos sentido – e isso é fel quando o considero em meu coração.

 * * * * * 

 Cale-se diante dEle toda a Terra: 
 Pois não existe dor como a da onisciência. 

 * * * * * 

 Deus é o Deus que ordena que se ame não apenas os inimigos manifestos, mas igualmente o agente duplo, o de pensamento & coração dobres. 
 Nietzsche dizia e escrevia que o cristianismo é a religião dos fracos. Errou: é preciso entrar no estreito, é preciso envergar o jugo suave, para entender o nível de forças que o verdadeiro cristianismo requer. Pois no Universo do Deus ágape, amar em verdade é a maior manifestação de poder, é a ação que requer mais poder, dentre todas ao alcance de homens e também de anjos. 

 Sammis Reachers

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

30 Máximas de La Rochefoucauld


1.  Nossas virtudes não são, o mais das vezes, que vícios disfarçados.

2.  Temos mais força que vontade, e é quase sempre para nos desculparmos a nós mesmos que imaginamos serem as coisas impossíveis.

3.  Se não tivéssemos defeitos, não teríamos tanto prazer em observá-los nos outros.

4.  O interesse fala qualquer espécie de linguagem e desempenha qualquer espécie de papel, mesmo o de desinteressado.

5.  Não existem acidentes, por mais felizes, dos quais os astutos não extraiam alguma vantagem, nem acidentes, por mais venturosos, que os imprudentes não consigam fazê-los voltar-se contra si mesmos.

6.  O verdadeiro amor é como a aparição dos fantasmas: todo o mundo os comenta, mas poucos os viram.

7.  O amor à justiça não passa, na maioria dos homens, do temor de sofrer injustiças.

8.  Falamos pouco quando a vaidade não nos faz falar.

9.  Assim como a característica dos grandes espíritos é fazer compreender muitas coisas em poucas palavras, o dom dos espíritos mesquinhos é falar muito e nada dizer.

10.                  Há censuras que nobilitam e elogios que desmerecem.

11.                  Deve-se sempre aferir a glória dos homens pelos meios de que se serviram para conquistá-la.

12.                  Há uma infinidade de comportamentos que parecem ridículos cujas razões ocultas são muito sábias e muito sólidas.

13.                  O mundo recompensa mais frequentemente as aparências do mérito do que o próprio mérito.

14.                  Enquanto a preguiça e a timidez nos retêm em nosso dever, nossa virtude, frequentemente, recebe as honras.

15.                  Esquecemos facilmente nossas faltas quando somos os únicos a conhecê-las.

16.                  Aquele que julga poder encontrar em si mesmo de que viver sem os outros, muito se engana; mas aquele que julga que ninguém pode passar sem ele, engana-se ainda mais.

17.   A hipocrisia é uma homenagem que o vício rende à virtude.

18.  As pessoas felizes jamais se corrigem; sempre julgam ter alguma razão quando a sorte ampara sua má conduta.

19.   Nada é tão contagioso como o exemplo, e nunca fazemos grandes bens, nem grandes males, sem que eles gerem outros semelhantes. Imitamos as boas ações por emulação, e as más pela maldade de nossa natureza, que a vergonha mantinha presa mas que o exemplo põe em liberdade.

20.  Não existe homem sagaz o bastante para conhecer todo o mal que pratica.

21.   Por mais desconfiança que tenhamos da sinceridade dos que nos falam, sempre julgamos que a nós eles dizem mais verdade que a outros.

22.    É mais fácil conhecer os homens do que o homem.

23.   Não se deve julgar o mérito de um homem pelas suas qualidades, mas pelo uso que delas ele faz.

24.   Muito falta para que a inocência encontre tanta proteção quanto o crime.

25.     Uma prova convincente de que o homem não foi criado tal como é, está em que, mais ele se torna racional, mais sente, no íntimo, vergonha da extravagância, da baixeza e da corrupção de seus sentimentos e de suas inclinações.

26.    O que produz tanta animosidade contra as máximas que põem à mostra o coração humano, é o receio que se tem de ser por elas descoberto.

27.    O trabalho corporal liberta-nos dos sofrimentos espirituais e é isto que torna os pobres felizes.

28.   A humildade é o altar sobre o qual Deus quer que lhe ofereçam sacrifícios.

29.    Antes de desejar ardentemente uma coisa, é necessário examinar a felicidade de quem a possui.

30.   Um verdadeiro amigo é o maior de todos os bens e o que menos pensamos em conquistar.


Selecionadas do livro Reflexões e Máximas Morais – Tradução de Alcântara Silveira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002
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